Deficiência de minerais pós-cirurgia bariátrica

Deficiência de minerais pós-cirurgia bariátrica

Por Em Nutrição & Saúde Em 16 de novembro de 2015


Cirurgia bariátrica: o que é?

cirurgia bariátricaÉ um procedimento cirúrgico que altera o trato gastrointestinal, promovendo a perda de peso. Essa técnica foi desenvolvida na década de 1960, porém sua popularidade começou a aumentar somente a partir dos anos 1990, devido às dificuldades enfrentadas no tratamento de obesos graves (IMC ≥ 40 kg/m2). Estima-se que, em 2011, foram realizados mais de 340.000 procedimentos no mundo todo.

Segundo seu mecanismo de ação, pode ser classificada em: restritiva e má absortiva. Os procedimentos restritivos reduzem o volume do estômago, limitando, dessa maneira, a ingestão calórica através da promoção da saciedade precoce. Já os procedimentos relacionados à má absorção promovem a perda de peso ao reduzirem a quantidade de calorias absorvidas devido à alteração do fluxo do alimento no trato gastrointestinal.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), no Brasil, entre 2003 e 2010, o número de cirurgias de redução de estômago aumentou 375%. Atualmente, o bypass gástrico em Y de Roux (BPGYR) é considerado o procedimento mais seguro e efetivo.

Tabela 1: Tipos de cirurgias bariátricas

Tipos Mecanismo de ação Classificação
LAGB (A) Uma banda é colocada na parte superior do estômago, criando uma bolsa de retenção temporária de 30 mL. Quando o alimento é ingerido, a bolsa expande-se e cria uma pressão intraluminal, acionando os sinais de saciedade. Restritiva
BPGYR (B) O estômago é reduzido a um volume de 20-30 ml e o seu conteúdo é  reencaminhado para o jejuno distal por meio de uma conexão de anastomose. Restritiva e má absortiva
SG (C) Uma parte do estômago é dissecada, deixando-o estreito e vertical com um volume de 150 mL. Restritiva
BPD (D) O volume do estômago é reduzido como na SG, entretanto o fluxo do alimento é desviado para diminuir o contato com as enzimas digestivas e, assim, diminuir a absorção de nutrientes. Restritiva e má absortiva

 

Deficiência de minerais após a cirurgia

Aproximadamente 30% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica desenvolvem complicações nutricionais. O número e a severidade das deficiências são determinados por fatores como:

- tipo de cirurgia bariátrica realizada;

- hábitos dietéticos do paciente;

- presença de complicações relacionadas ao procedimento cirúrgico como: náusea, vômito ou diarreia.

Alguns minerais, como ferro, cobre e zinco, necessitam de condições ácidas do estômago para serem solubilizados. Além disso, seus principais transportadores estão predominantemente no duodeno. Por isso, a deficiência desses minerais é  muito comum em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

A reposição e a incorporação de nutrientes no corpo a partir da alimentação é a maneira mais adequada de se manter os estoques corporais em níveis desejáveis. No entanto, em pacientes que fizeram a cirurgia de redução do estômago, alguns fatores justificam a suplementação nutricional:

  • restrição da capacidade gástrica, diminuindo a produção de ácido pelo estômago;
  • exclusão do estômago e do intestino durante o trânsito alimentar, reduzindo a absorção de nutrientes;
  • intolerância alimentar, fazendo com que alguns alimentos importantes sejam excluídos da dieta.

 

Deficiência de ferro

A anemia afeta cerca de dois terços dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, sendo, geralmente, provocada pela deficiência de ferro. Nesses pacientes, a quantidade de ingestão diária de ferro elementar deve atingir 40 a 100 mg/dia.

O ideal é que o suplemento de ferro seja acompanhado de vitamina C e de frutooligossacarídeos para prevenir a constipação, melhorar a flora intestinal e proporcionar melhor absorção do mineral.

 

Deficiência de cobre

A deficiência de cobre é muito prevalente em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Além disso, essa deficiência pode provocar anemia, sendo recomendada, por alguns autores, a suplementação de 900 μg/d de cobre ou suplementação adicional de 50 a 200 μg/d, de acordo com a técnica cirúrgica utilizada.

 

Deficiência de zinco

A deficiência de zinco tem sido relatada como causa de diarreia, queda de cabelo, desordens emocionais, perda de peso, infecções recorrentes, dermatite e hipogonadismo em homens. Recomenda-se uma dose adicional de 6,5 mcg/dia de zinco.

 

Conclusão

A cirurgia bariátrica é considerada a ferramenta mais eficaz no controle e no tratamento da obesidade severa.  Todavia, as deficiências de nutrientes, como a de minerais, são as principais alterações que colocam em risco o sucesso desse procedimento. Portanto, é muito importante compreender as potenciais deficiências nutricionais que ocorrem após a cirurgia e qual a melhor forma de suprir a necessidade dos pacientes submetidos a esses procedimentos.

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Referências

- Bordalo, L. A., Teixeira, T. F. S., Bressan, J., & Mourão, D. M. (2011). Cirurgia bariátrica: como e por que suplementar. Revista da Associação Médica Brasileira57(1), 113-120.

- Gletsu-Miller, N., & Wright, B. N. (2013). Mineral malnutrition following bariatric surgery. Advances in Nutrition: An International Review Journal,4(5), 506-517.

- Torezan, E. F. G. (2013). Revisão das principais deficiências de micronutrientes no pós-operatório do Bypass Gástrico em Y de Roux.I J Nutrology6(1).

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Sobre o Autor

Kilyos Minerals & Nutrition

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