O papel dos micronutrientes na prevenção da diabetes

O papel dos micronutrientes na prevenção da diabetes

Por Em Nutrição & Saúde Em 3 de agosto de 2015


Diabetes Mellitus é uma doença crônica caracterizada, principalmente, pelo quadro de hiperglicemia – excesso de glicose no sangue. Estima-se que o número de adultos com diabetes, no mundo, aumentará de 382 milhões, em 2013, para 592 milhões em 2035.

O tipo 2 (DM2) é o tipo mais comum da diabetes. Indivíduos portadores de DM2, normalmente, apresentam baixos níveis de minerais como cálcio, magnésio, cromo e zinco, demonstrando o possível papel desses micronutrientes na fisiopatologia da diabetes.

Cálcio

A insulina é um hormônio que possui uma importante função na homeostase (equilíbrio) da glicose. Sua ação pode ser afetada de maneiras diferentes, como, por exemplo, pelos níveis de cálcio intracelular.

Estudos com animais demonstraram que o aumento do cálcio intracelular estimulou a liberação de insulina pelo pâncreas. Por isso sugere-se que a ingestão inadequada de cálcio pode afetar o teor de cálcio no pâncreas e, consequentemente, prejudicar a liberação de insulina, podendo, portanto, levar à resistência periférica à insulina e a uma diminuição do transporte de glicose principalmente em tecidos como músculo esquelético e tecido adiposo (HABER et al., 2011; SIDDIQUI et al., 2014).

Magnésio

O magnésio é um cofator essencial de muitas enzimas importantes no metabolismo de carboidratos. É comum pacientes portadores de diabetes apresentarem baixos níveis de magnésio no sangue (SIDDIQUI et al., 2014).

Um ensaio randomizado e controlado indicou que a suplementação de magnésio oral pode melhorar a sensibilidade à insulina mesmo em indivíduos não diabéticos com estado normal de magnésio. Dessa forma, a suplementação de magnésio é capaz de prevenir a resistência à insulina e auxiliar no controle do DM2 (MOOREN et al., 2011).

Cromo

Sua participação no metabolismo de carboidratos relaciona-se, mais especificamente, ao estímulo da captação de glicose pelas células de tecidos-alvo. Isso ocorre através da ligação de quatro átomos de cromo a uma proteína intracelular específica denominada apocromodulina, que se torna ativa sob a forma de cromodulina.

Em situações de hiperglicemia (aumento de glicose no sangue), a insulina é rapidamente secretada para a circulação, liga-se ao seu receptor, desencadeando uma série de reações para favorecer o transporte de glicose para as células-alvo. Nesse momento, a cromodulina (ativada pelo cromo) desempenha um importante papel ao ligar-se ao sítio ativo no receptor insulínico, completando a ativação deste e amplificando o sinal da insulina (GOMES et al., 2005).

Em pacientes portadores de DM2, têm sido observados baixos níveis sanguíneos de cromo. Balk et al. (2007), em uma revisão sistemática com metanálise, observaram que a suplementação com cromo (1,28-1000 mcg/dia) reduziu os valores de hemoglobina glicada em 0,6% (IC 95% -0,9 a -0,2) em 381 pacientes com diabetes,demonstrando o papel do cromo na redução da glicemia, provavelmente devido ao aumento da ação da insulina.

Zinco

A hiperglicemia na diabetes é caracterizada por um estado de alto estresse oxidativo, que contribui para o desenvolvimento de complicações macro e microvasculares. Evidências sugerem que a diminuição das defesas antioxidantes (enzimáticas e não enzimáticas) correlacionam-se com a gravidade das alterações patológicas no DM1 (REIS et al., 2008). Por isso tem sido dada atenção ao uso de antioxidantes na prevenção e tratamento das complicações da DM.

O zinco apresenta um importante papel no sistema de defesa antioxidante.  Entre outros efeitos, esse mineral inibe a NADPH-oxidase – enzima envolvida na produção de ERO – e atua como cofator da superóxido dismutase (SOD), uma das enzimas do sistema antioxidante endógeno.  Dosagens séricas elevadas de zinco, em pacientes com DM2, estão relacionadas com o seu papel protetor contra o desenvolvimento de complicações, como as doenças cardiovasculares, devido ao seu papel antioxidante (SARMENTO et al., 2013).

Conclusão

Os minerais têm um importante papel no metabolismo da glicose. Assim, a ingestão adequada destes micronutrientes, bem como sua suplementação, quando necessário, são relevantes para a prevenção e controle da Diabetes Mellitus tipo 2.

Referências:

BALK, Ethan M. et al. Effect of chromium supplementation on glucose metabolism and lipids a systematic review of randomized controlled trials. Diabetes care, v. 30, n. 8, p. 2154-2163, 2007.

GOMES, Mariana Rezende; ROGERO, Marcelo Macedo; TIRAPEGUI, Julio. Considerações sobre cromo, insulina e exercício físico. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 5, p. 262-266, 2005.

HABER, Esther P. et al. Secreção da insulina: efeito autócrino da insulina e modulação por ácidos graxos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 45, n. 3, p. 219-227, 2001.

MOOREN, F. C. et al. Oral magnesium supplementation reduces insulin resistance in non‐diabetic subjects–a double‐blind, placebo‐controlled, randomized trial. Diabetes, Obesity and Metabolism, v. 13, n. 3, p. 281-284, 2011.

REIS, Janice Sepúlveda et al. Estresse oxidativo: revisão da sinalização metabólica no diabetes tipo 1. Arq. bras. endocrinol. metab, v. 52, n. 7, p. 1096-1105, 2008.

SARMENTO, Roberta Aguiar et al. Micronutrientes antioxidantes e risco cardiovascular em pacientes com diabetes: uma revisão sistemática. Arq Bras Cardiol, v. 101, n. 3, p. 240-248, 2013.

SIDDIQUI, Khalid; BAWAZEER, Nahla; SCARIA JOY, Salini. Variation in macro and trace elements in progression of type 2 diabetes. The Scientific World Journal, v. 2014, 2014.

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Kilyos Minerals & Nutrition

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