O perigo das dietas “milagrosas”

O perigo das dietas “milagrosas”

Por Em Nutrição & Saúde Em 15 de junho de 2015


Hoje em dia, uma grande variedade de dietas está disponível com a promessa de promover a perda de peso e melhorar os fatores de risco cardiovascular, tais como os níveis de lipídios, pressão arterial e glicemia. Mas você conhece realmente os perigos das tais dietas “milagrosas” que estão na moda atualmente?

Normalmente, dietas radicais ou muito restritivas vêm acompanhadas de deficiências em macro (proteínas, gorduras e carboidratos) e micronutrientes (vitaminas e minerais). Isso acontece porque nosso organismo precisa de todos esses componentes para funcionar adequadamente, e essas dietas, principalmente se seguidas por tempo prolongado, não fornecem todos eles na quantidade necessária. Somadas a isso, tem-se a restrição de nutrientes, de um lado, e a sobrecarga ou oferta exagerada de componentes, de outro.

O segredo para a perda de peso é gastar mais calorias do que o corpo necessita, processo denominado balanço energético negativo. Os nutrientes que fornecem energia para a dieta são as proteínas, os carboidratos e as gorduras. Todos eles, incluindo seus subcomponentes, exercem funções essenciais para o equilíbrio do corpo. Por isso, devem ser consumidos de forma equilibrada.

O que as dietas “milagrosas” podem causar?

Dependendo da duração, do tipo e da intensidade da restrição dietética, vários problemas de saúde podem surgir.

O baixo consumo de energia pode resultar em perda de massa muscular, disfunção menstrual, perda da densidade óssea, fadiga, irritabilidade, dor de cabeça, aumento do risco de lesões e maior tempo de recuperação em caso de doenças.

O consumo de energia suficiente é crucial para que a proteína consumida desempenhe sua função principal: dar estrutura tecidual. Se a quantidade de fonte energética provinda dos lipídeos ou carboidratos está abaixo do necessário, a proteína é direcionada para a produção de energia. Assim, a formação e a manutenção da massa muscular são prejudicadas e, muitas vezes, a pessoa emagrece às custas da perda de massa muscular em vez da de gordura corporal.

A alta ingestão de lipídeos contribui para o excesso de peso e favorece processos de inflamação. No entanto, sua escassez também é prejudicial, uma vez que as gorduras, além de serem fonte de energia, são também de vitaminas e ácidos graxos fundamentais para uma vida saudável.

Ao cortar alimentos para reduzir calorias, consequentemente pode haver cortes de vitaminas e minerais presentes em tais alimentos, o que pode gerar deficiências e doenças graves, como a anemia ferropriva, por carência de ferro, ou a hipovitaminose A. Essas e outras deficiências podem levar à queda de cabelo, unhas fracas e quebradiças, desânimo, fraqueza, indisposição, tonturas, flacidez e constipação intestinal, além de diminuir a imunidade.

Todas as calorias são iguais?

A busca por uma dieta eficaz para a perda e controle de peso baseia-se na ideia de que alguns nutrientes e alimentos são mais propensos a produzir um balanço energético negativo do que outros.

No entanto, cientistas acreditam que a composição da dieta alterada por si só é um instrumento ineficaz e que devemos, simplesmente, ter muita força de vontade para evitar excessos e consumir alimentos da forma mais equilibrada possível, pensando não somente em resultados a curto prazo, mas a médio e longo também.

Há várias maneiras pelas quais os alimentos podem influenciar na ingestão calórica. Considerando dietas ricas em proteínas, podemos afirmar que estas geralmente exercem um efeito de saciedade maior comparado a outros macronutrientes. Ademais, durante a perda de peso, dietas com proteína elevada preservam a massa magra corporal. Por outro lado, a restrição de proteínas vem acompanhada de maior proporção de consumo de gorduras e carboidratos, favorecendo o aparecimento de risco cardiovascular.

Um estudo realizado por Atallah e colaboradores demonstrou que, dentre quatro tipos de dietas populares avaliadas por um período de 12 meses, todas mostraram-se razoavelmente eficazes a curto prazo, entretanto tais dietas não foram sustentadas por muito tempo.

Esse tipo de situação ocorre, pois essas dietas muito radicais são baseadas em comportamentos alimentares não usuais, os quais são difíceis de serem mantidos, levando à desistência por parte das pessoas após curto período.

Considerações importantes

Diferentemente do que vemos em propagandas, a dieta ideal é aquela que tem a melhor adesão de pessoas – para que estas possam manter a nova forma alimentar tanto tempo quanto possível – e que não traz efeitos deletérios para o indivíduo a curto e longo prazo.

A reeducação alimentar é uma peça-chave para a redução e controle do peso. O nutricionista é o profissional mais recomendado e capacitado para planejar uma dieta equilibrada, adaptada às características e às necessidades de cada um, de forma a favorecer a perda de peso de forma saudável.

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Referências

ASTRUP, A.; RABEN, A.; GEIKER, N. The role of higher protein diets in weight control and obesity-related comorbidities. International Journal of Obesity, v. 39, p. 721-6. 2015.

ATALLAH, R. Long-Term Effects of 4 popular diets on weight loss and cardiovascular risk factors: a systematic review of randomized controlled trials. Circ Cardiovasc Qual Outcomes. v. 7. 2014.

HU, T.; BAZZANO; L. A. The low-carbohydrate diet and cardiovascular risk factors: Evidence from epidemiologic studies. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 24(4): 337–343. 2014.

JOVANOVSKI, E.; ZURBAU, A.; VUKSAN, V. Carbohydrates and endothelial function: is a low-carbohydrate diet or a low-glycemic index diet  favourable for vascular health? Clin Nutr Res.; v. 4, p. 69-75. 2015.

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Sobre o Autor

Kilyos Minerals & Nutrition

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