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Análise de estudo

Qual a relação entre consumo de nutrientes e a ansiedade?

A presença de sintomas de ansiedade é muito comum na população, como resposta a estresses diários, como parte de outras doenças ou como parte de alguma patologia psicológica. Essa resposta pode ser considerada patológica quando ocorre de forma excessiva e sem razão, limitando as ações da pessoa no dia a dia e provocando alterações de humor, tristeza, irritabilidade.

Qual o tratamento para transtornos de ansiedade?

Transtornos de ansiedade estão entre as condições psiquiátricas mais comuns, e incluem agorafobia, transtornos do pânico, fobias específicas, fobia social, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de estresse pós-traumático ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC). O tratamento é baseado em abordagens terapêuticas e farmacológicas, com inibidores de receptação de serotonina e benzodiazepínicos. Embora muito utilizados, os tratamentos farmacológicos podem apresentar algumas restrições à sua utilização, devido à incidência de efeitos colaterais como disfunção sexual, distúrbios cognitivos (dificuldade de concentração e amnésia), toxicidade comportamental (irritabilidade e agressividade), potencialização do efeito depressor de outras drogas depressoras, como o álcool e dependência, resultando na insatisfação do paciente e descontinuidade do tratamento. A descontinuação do tratamento pode levar a síndrome de abstinência com sintomas como tremores, ansiedade acentuada, sudorese, câimbras, inquietude, insônia e cefaleia. Diante desse cenário, muitos indivíduos acabam por procurar por terapias alternativas para auxiliar no combate ao problema.

A influência do consumo de nutrientes na saúde mental

A deficiência de nutrientes como ferro, ácido fólico, zinco e vitamina B12 pode estar envolvida no desencadeamento de alterações de humor, transtornos de ansiedade e problemas de concentração e sono, dificultando a eficiência dos tratamentos farmacológicos e devendo ser avaliada durante o acompanhamento do paciente.

ácido fólico e a vitamina B12 participam do processo de síntese de serotonina e outros neurotransmissores, sendo relacionados a alterações de humor quando se encontram em desequilíbrio no organismo. A deficiência desses nutrientes foi encontrada em pacientes com depressão, estando associada também a problemas de déficit de atenção, memória e concentração. Em pacientes com depressão, a deficiência de folato pode diminuir a resposta a terapia com antidepressivos, dificultando os efeitos de medicamentos como a fluoxetina.

Alguns estudos clínicos encontraram relação entre baixos níveis séricos de zinco e depressão, aumentando a resistência do paciente ao tratamento. Em estudos com animais, o zinco apresentou propriedades antidepressivas, sugerindo que a restauração dos níveis séricos pode auxiliar no tratamento com antidepressivos, reduzindo o tempo necessário para que a dosagem terapêutica seja alcançada. A carência de zinco também pode estar relacionada a maior manifestação de sintomas de ansiedade.

A deficiência de ferro pode desencadear alterações de humor como irritabilidade e dificuldade de concentração, além de fadiga e apatia, que podem aparecer sozinhas ou associadas a ansiedade e alterações no sono. A carência do aminoácido triptofano também é associada com a depressão e distúrbios do sono, uma vez que ele é essencial para a produção de serotonina e melatonina, essenciais para a regulação do humor e dos ciclos do sono.

O consumo de ácidos graxos poli-insaturados, encontrados em peixes, óleos vegetais e frutos do mar, participa na prevenção dos transtornos de humor e está relacionado a diminuição do risco de depressão, bem como na melhora de alguns transtornos cognitivos.

Atualmente, deficiências nutricionais podem ocorrer devido à ingestão em grande quantidade de alimentos ultraprocessados pobres em nutrientes. O consumo desses alimentos está associado ao maior risco de transtornos de ansiedade e depressão, quando comparado a uma alimentação convencional rica em frutas, verduras e alimentos integrais. Na impossibilidade de mudanças alimentares, a suplementação dos nutrientes deficientes pode auxiliar na melhoria do quadro, complementando o tratamento medicamentoso.

Terapias alternativas, como a prática de atividades físicas, o consumo de fitoterápicos e de suplementos nutricionais podem trazer efeitos benéficos e complementares para o tratamento medicamentoso, podendo inclusive diminuir efeitos colaterais e a duração do mesmo. A avaliação da necessidade de prescrição de medicamentos e suplementos deve ser realizada por um profissional de saúde, bem como o acompanhamento da evolução dos sintomas e eventuais ajustes de dosagem.

Referências

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