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O cobre e a inflamação

 

O cobre


O cobre é um elemento traço essencial para diversas funções biológicas no corpo humano!
 

Este mineral é necessário para a respiração, formação de elastina e colágeno, metabolismo do ferro e muitos outros processos, como o desenvolvimento normal do cérebro e do sistema nervoso, a partir da síntese de neurotransmissores e transmissão de impulsos nervosos. Além disso é componente fundamental de várias enzimas importantes, como a superóxido dismutase (SOD), e a citocromo-C oxidase, dentre outras. As enzimas contendo cobre realizam diversas ações, incluindo reações de transporte de oxigênio e elétrons e a proteção da célula contra radicais livres.
 

O cobre é absorvido da dieta através do intestino delgado (~ 2mg/dia) e armazenado no fígado. A principal via de excreção do cobre armazenado no fígado é a biliar (~ 80%). E por meio da ligação com a albumina sérica ou histidina ele é transportado através da corrente sanguínea, para distribuição aos tecidos ou armazenamento no fígado.


 

A deficiência de cobre
 

O desequilíbrio do cobre afeta o desenvolvimento cardíaco, o sistema nervoso e a função hepática, influenciando o metabolismo lipídico, a inflamação e a resistência a fármacos quimioterápicos. Sua deficiência pode induzir a:
 

 
 

O cobre e o estresse oxidativo
 

A geração de radicais livres no nosso corpo é um processo contínuo e fisiológico, que ocorre normalmente para manter o seu bom funcionamento. Porém, sua produção excessiva pode conduzir a danos oxidativos, capazes de gerar problemas irreparáveis, inclusive no nosso DNA! Por isso, também somos dotados de mecanismos de defesa antioxidante, que servem para limitar os níveis intracelulares desses radicais livres e controlar a ocorrência dos danos decorrentes.
 

estresse oxidativo ocorre a partir de um desequilíbrio entre compostos oxidantes e antioxidantes, onde há geração excessiva de radicais livres, que não é acompanhada pela mesma velocidade na sua remoção. Nessa situação há oxidação de biomoléculas, que leva a perda de suas funções biológicas e/ou desequilíbrio, com consequente dano oxidativo às células e aos tecidos. Acredita-se que a ocorrência desse processo de forma crônica, pode levar ao aparecimento de estado inflamatório e danos no DNA, com consequente desenvolvimento de doenças cardiovasculares, carcinogênicas e neurodegenerativas.
 

O sistema de defesa antioxidante tem a função de manter o processo oxidativo dentro dos limites fisiológicos, impedindo que os danos se amplifiquem. Ele é dividido em enzimático (SOD, catalase e glutationa peroxidase (GPx)) e não-enzimático (vitaminas e minerais, como o zinco, cobre, selênio e magnésio).
 

Essas enzimas (SOD, catalase e GPx) previnem, impedem e/ou controlam a formação de radicais livres e, consequentemente, de danos oxidativos e sua atividade depende da participação de cofatores enzimáticos. No caso da SOD há dependência de cobre e zinco (SOD-Cu/Zn), por exemplo.
 

O cobre é essencial para o bom funcionamento do sistema. Se por um lado atua no combate aos radicais livres, por outro, por ser muito ativo em reações de óxido-redução, se torna um potente catalisador das reações de geração de radicais livres. Assim, tanto sua deficiência como seu excesso podem ser prejudiciais.

 
 

O cobre e a inflamação
 

Pesquisas com humanos e animais tem levantado que a deficiência ou as baixas concentrações de cobre tem associação com:
 

 

A obesidade é um problema de saúde com prevalência crescente e é acompanhada por uma multiplicidade de comorbidades, incluindo a NAFLD. Ela tornou-se a doença hepática crônica mais comum, tanto em adultos quanto em crianças.
 

A NAFLD se caracteriza pelo acúmulo de triglicerídeos no fígado, excesso de ácidos graxos livres e resistência à insulina. Ela pode evoluir para esteato-hepatite não alcoólica (non-alcoholic steato-hepatitis, NASH), que representa a forma inflamatória, capaz de progredir para fibrose avançada, cirrose e hepatocarcinoma.
 

Perturbações na homeostase de cobre têm demonstrado contribuir para a patogênese da NAFLD.
 

Além disso, a obesidade por si só, tem o estresse oxidativo como condição prevalente, bem como o estado de inflamação observado no tecido adiposo. Quando a obesidade persiste por um período prolongado de tempo, fontes de antioxidantes podem ser esgotadas, diminuindo a atividade de enzimas como a SOD e catalase, ambas enzimas dependentes de cobre para a adequada atuação. A atividade de SOD e GPx em indivíduos com obesidade é significativamente menor quando comparada a de pessoas saudáveis.
 

Somado a esta informação temos que o estresse oxidativo está envolvido na fisiopatologia da NAFLD e NASH. E tem sido implicado na progressão de várias doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e esclerose.
 

As evidências sugerem que o estresse oxidativo pode contribuir para o desenvolvimento de inflamação. E certamente, o equilíbrio nos níveis de cobre em nosso organismo, tem extrema importância no combate a estes processos e manutenção da saúde!

 

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Referências Bibliográficas:

AHUJA, A. et al. Copper mediated neurological disorder: visions into amyotrophic lateral sclerosis, Alzheimer and Menkes disease. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology, v. 29, p. 11–23. 2015.

BARBOSA, K. B. F. et al. Estresse oxidativo: conceito, implicações e fatores modulatórios. Rev. Nutr., v. 23, n. 4, p. 629-43,  2010.

FELDMAN, A. The potential role of iron and copper in pediatric obesity and nonalcoholic fatty liver disease. BioMed Research International, 2015.

LUTSENKO, S. Human copper homeostasis: a network of interconnected pathways. Current Opinion in Chemical Biology, v. 14, p. 211–7. 2010.

PERRIOTTE-OLSON, C. et al. Nanoformulated copper/zinc superoxide dismutase reduces adipose inflammation in obesity. Obesity, v. 24, p. 148–56. 2016.

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