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O mês de agosto, no que concerne à saúde materno-infantil, tem destaque para dois eventos importantes, a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre em mais de 100 países, e o Agosto Dourado, instituído no Brasil pela Lei Federal Nº 13.435, de 2017 [1]. 
 

O Agosto Dourado foi criado com o intuito de intensificar e realizar ações a fim de promover a conscientização e o esclarecimento da importância do aleitamento materno, desde a comunidade médica até a mãe e a família do recém-nascido. A cor dourada, que estampa a campanha, representa o leite da mãe, que é conhecido como alimento Padrão Ouro de Qualidade [1]. Neste ano de 2021, o tema é “Proteger a Amamentação: uma responsabilidade de todos!”
 

Considerado o alimento mais completo, o leite materno deve ser ofertado ao bebê exclusivamente até o 6º mês de vida e de forma complementar até dois anos de idade ou mais [1, 2]. Os benefícios do aleitamento materno para o bebê e para a mãe são inúmeros, pois o leite protege a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias, evita o risco de desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta, além de contribuir significativamente para a redução da mortalidade infantil [2]. 
 

Enquanto, para a mãe, os benefícios incluem uma melhor e mais rápida recuperação pós-parto e também a diminuição do risco de desenvolvimento de doenças como câncer de mama e de ovário, diabetes tipo 2, artrite reumatóide e doenças cardiovasculares [3]. Vale ressaltar que, além das questões fisiológicas, a amamentação também é essencial para o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho.
 

Já é sabido que a nutrição no período gestacional tem impacto direto na saúde e desenvolvimento da criança. Contudo, a importância desse processo se estende após o parto, sendo os primeiros 1100 dias de vida, fase que engloba o período antes da concepção (90 dias), a gestação (280 dias) e os dois primeiros anos da criança (730 dias), considerados uma “janela de oportunidade e vulnerabilidade” para o desenvolvimento humano [4]. Estudos demonstram que os hábitos de vida adotados nesse período têm forte repercussão na programação biológica do indivíduo, com influências no metabolismo e no desenvolvimento cognitivo, que estarão presentes pelo resto de sua vida [4]. 
 

Já está claro, na literatura científica e na prática clínica, que intervenções nutricionais nessa fase da vida proporcionam benefícios consideráveis a curto e longo prazo. Entre os nutrientes essenciais para esse período, está a colina, com importante papel para o desenvolvimento do bebê, em especial o neurodesenvolvimento. Nesse contexto, a Associação Médica Americana (AMA) e a Academia Americana de Pediatria recomendam que o consumo de colina pela mãe tenha início no período pré-natal e se estenda até a primeira infância [5, 6].  
 

Neste cenário, um estudo conduzido em 2015 buscou investigar os efeitos da ingestão variada de colina durante a lactação e do teor de colina no leite materno [7]. Para tal, lactantes (5 semanas pós-parto) e mulheres controle (não grávidas e não lactantes) foram suplementadas com colina, nas doses de 480 mg ou 930 mg/dia, durante um período de 10-12 semanas, após o qual observou-se que as lactantes exibiam concentrações plasmáticas de colina mais altas e menor excreção urinária dos respectivos metabólitos, comparadas ao grupo controle. Os autores demonstraram que a lactação induz adaptações metabólicas que aumentam a oferta de colina no tecido mamário e, por consequência, otimizam o conteúdo de colina no leite materno. Sugerindo assim, que o organismo prioriza o consumo de colina para o bebê, devido às suas necessidades fisiológicas específicas.
 

Dessa forma, considerando a relevância dos primeiros 1100 dias para o desenvolvimento do recém-nascido, a adoção de uma dieta materna equilibrada e que contemple os micronutrientes essenciais que devem estar presentes no leite materno é primordial. As principais associações médicas internacionais reconhecem a colina como um nutriente-chave para esse período da vida [5, 6]. Embora esteja presente em alimentos como ovos e carnes vermelhas, o consumo diário de colina pela população, incluindo gestantes,  lactantes e crianças de primeira infância, é bem abaixo do recomendado [8]. Inclusive, a ingestão diária recomendada (IDR) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para este nutriente é maior para lactantes (550 mg/dia) do que para gestantes (450 mg/dia), ressaltando a importância da suplementação com esse nutriente na dieta materna para o desenvolvimento adequado do bebê [9].




 

Produzido por: Pietra Sacramento Prado, BSc e Renata Cavalcanti, PhD

Referências

1.    IAMSPE SP. Agosto Dourado 20212021. 2.    Governo do Brasil. 2021; https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2021/07/campanha-incentiva-o-aleitamento-materno-no-brasil. Accessed 06/08/2021. 3.    Setúbal J.L., Sociedade Brasileira de Pediatria. 2011; https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/beneficios-leite-materno-mae.pdf4.    Victora C.G., Adair L., Fall C., Hallal P.C., et al. Lancet. 2008;371(9609):340-357. 5.    AMA. 2017; https://wire.ama-assn.org/ama-news/ama-backs-global-health-experts-calling-infertility-disease). 6.    Schwarzenberg S.J., Georgieff M.K., Committee On N. Pediatrics. 2018;141(2). 7.    Davenport C., Yan J., Taesuwan S., Shields K., et al. J Nutr Biochem. 2015;26(9):903-911. 8.    Keast D.R. Washington, DC 2007. 9.    Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC Nº 269, DE 22 DE SETEMBRO DE 2005. Ministério da Saúde Brasil. Vol 2005.

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