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A população de idosos está aumentando cada vez mais no Brasil e no mundo. Nos últimos 60 anos, houve um crescimento de 15 milhões de idosos no país, passando de 4% para 9% da população. Em 2025, estima-se um aumento de mais de 33 milhões, tornando o Brasil o sexto país com maior percentual de idosos no mundo.

Ao longo do envelhecimento, ocorrem alterações profundas na composição corporal do idoso, associadas à diminuição da massa muscular (responsável por até 60% da massa corporal) e aumento na massa de gordura. Essa perda progressiva da massa muscular é denominada sarcopenia, uma condição comum que se inicia a partir dos 40 anos, de modo que até 50% desta massa é perdida aos 80 anos.

A sarcopenia, ao prejudicar a força e desempenho muscular do idoso, pode reduzir significativamente a sua expectativa e qualidade de vida, aumentando o risco de quedas e diminuindo a sua capacidade de realizar atividades diárias comuns, como levantar objetos e subir escadas. Estima-se que a sua prevalência seja de até 36% para idosos com idade entre 65 e 80 anos e de até 60% para idosos acima de 80 anos.

Uma das maneiras mais eficazes de combater a sarcopenia é manter os músculos ativos. Combinações de exercícios aeróbicos, de resistência e de equilíbrio podem prevenir e até reverter a perda muscular. Cada vez mais estudos tem também indicado que alguns nutrientes, como a astaxantina e o magnésio, podem ser importantes aliados no combate à sarcopenia, melhorando a função muscular e a resposta ao exercício físico.

A astaxantina é um carotenóide dez vezes mais potente que outros carotenóides bem conhecidos, como o beta-caroteno e a luteína. Este composto natural é obtido principalmente da microalga verde Haematococcus pluvialis, e é amplamente distribuído no pigmento vermelho de frutos do mar como camarão, salmão, truta e lagosta. A astaxantina possui importantes propriedades anti-inflamatórias, antitumorais, antidiabética, antiobesidade e cardioprotetoras.

Outra propriedade da astaxantina que vem ganhando destaque é a sua capacidade de promover o aumento da força e da resistência muscular. Um estudo de 2018 investigou 42 idosos, com idades entre 65 e 82 anos, divididos em 2 grupos. O grupo controle participou de um protocolo de treinamento com exercícios intervalados, que consistiu em sessões de 40 a 60 minutos, três vezes por semana. O outro grupo, além de participar do protocolo de exercícios, foi suplementado com uma formulação contendo astaxantina natural (AstaReal®). Ao final do período de quatro meses, os idosos que fizeram o treinamento físico combinado com a formulação de astaxantina apresentaram um aumento da força muscular em 14,4% e do tamanho muscular em 2,7%. Não houve melhora destes parâmetros musculares no grupo que realizou exercício sozinho, comprovando um efeito positivo da astaxantina na resposta ao exercício em idosos.

Da mesma forma, o magnésio é um importante nutriente para a função muscular, justificando o fato de 27% do estoque deste mineral ser encontrado no músculo esquelético, o seu principal local de armazenamento no organismo. Este mineral desempenha um importante papel fisiológico no metabolismo muscular, que inclui o fornecimento de energia e oxigênio para os músculos e o controle da contração e relaxamento muscular.

O magnésio geralmente é consumido em quantidades inadequadas na maioria das dietas, especialmente dos idosos, o que pode agravar o quadro de sarcopenia nestes indivíduos.

Uma pesquisa epidemiológica com 1.138 participante de, em média, 66,7 anos de idade, avaliou a relação entre o magnésio e a performance muscular especificamente no público idoso. O estudo relatou uma correlação positiva entre os níveis séricos de magnésio e diversos parâmetros de desempenho muscular nestes indivíduos, como potência muscular da perna, torque de extensão do joelho e extensão isométrica do tornozelo.

As descobertas destes estudos indicam que a astaxantina e o magnésio podem desempenhar um papel importante no suporte à força, resistência e mobilidade muscular do idoso, combatendo assim os efeitos debilitantes da sarcopenia.
 


Referências
Picoli TS, Figueiredo LL, Patrizzi LJ (2011). Sarcopenia e envelhecimento. Fisioter mov, 24(3):455-462.
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