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A Diabetes Mellitus (DM) é um sério problema de saúde pública, sendo considerada como uma importante causa de morbidade e mortalidade em todo o mundo. A prevalência da DM vem crescendo nas últimas décadas, principalmente devido ao aumento das taxas de sobrepeso e obesidade, alterações no estilo de vida e envelhecimento populacional. No ano de 2017, ocorreram aproximadamente 5 milhões de óbitos em virtude da doença, sendo que, para o ano de 2045, estima-se que cerca de 693 milhões de pessoas serão diabéticas.
De acordo com a fisiopatologia da doença, a diabetes pode ser classificada em tipo 1 e tipo 2. A diabetes tipo 1 compreende 10% do total de casos, é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca as células beta pancreáticas (responsáveis pela produção de insulina), ocasionando a ausência absoluta deste hormônio no organismo. Já a diabetes tipo 2 está associada a um estilo de vida não saudável, marcado pelo sedentarismo e maus hábitos alimentares, sendo responsável pela maioria dos casos da doença, compreendendo cerca 90% do total. Este tipo caracteriza-se pela diminuição da secreção pancreática de insulina ou mesmo resistência e redução de sua ação.
O tratamento da DM tipo 2 inclui mudanças no estilo de vida do indivíduo, com adesão à prática de atividade física e programas de reeducação alimentar. Além disso, a terapia com fármacos também é essencial para o controle normal do índice glicêmico, podendo agir no estímulo à produção de insulina pelo pâncreas, na sensibilização à ação da insulina ou até mesmo reduzindo a absorção de carboidratos no organismo. Nesse sentido, recentemente alguns minerais como o cromo e o magnésio vêm sendo descritos na literatura como importantes aliados no controle da glicemia, já que aparentemente, os mesmos podem interferir no metabolismo da insulina e potencializar seus efeitos em pacientes com DM.
 
Cromo
O cromo é um mineral essencial que não é produzido pelo organismo e deste modo, deve ser adquirido pela dieta. Evidências científicas têm elucidado seu papel no tratamento da DM, especialmente pela sua atuação na melhora da tolerância à glicose por meio do aumento da sensibilização à insulina, e consequente alteração no metabolismo de carboidratos e lipídeos. A deficiência de cromo relaciona-se com quadros de hiperglicemia e alguns estudos comprovam a eficácia da suplementação.  Cheng e colaboradores reuniram um grupo de 180 diabéticos no intuito de avaliar os efeitos da suplementação de cromo nos sintomas da diabetes. Como resultado, observou-se uma redução de 85% no número de pessoas com relatos de sede excessiva, micção e fadiga durante o período de suplementação, sem quaisquer efeitos colaterais negativos confirmados decorrente do consumo de cromo por até 1 ano. Um outro ensaio contou com a participação tanto de pacientes com DM tipo 1 quanto com tipo 2, suplementando 200mcg de picolinato de cromo por dia aos participantes. No grupo com DM tipo 1, observou-se resultados positivos, diminuindo a dose da terapia com insulina em cerca de 30%, além de também reduzir as variações de glicose sanguínea após o período de 10 dias do tratamento.
 
Magnésio
Por sua vez, o magnésio, é um mineral co-fator para mais de 300 reações enzimáticas, participando de diversos processos metabólicos, especialmente aqueles ligados ao metabolismo dos carboidratos. Acredita-se que a hipomagnesemia exerça influência sobre a secreção de hormônios e neuro-hormônios envolvidos na regulação da glicose sanguínea e por isso, o magnésio parece ser essencial para manutenção da sensibilidade à insulina.  Um ensaio clínico publicado na revista Diabetes Care, da American Diabetes Association analisou os efeitos da suplementação oral de magnésio em pacientes diagnosticados com DM tipo 2. Após a intervenção, os autores concluíram que os indivíduos suplementados apresentaram uma redução de 37,5% nos níveis de glicose em jejum quando comparados ao grupo controle, demonstrando que a terapia com o magnésio pode ser uma aliada no tratamento da DM tipo 2.
Apesar dos notórios benefícios do tratamento de DM com elementos como o cromo e magnésio, é importante ressaltar que qualquer orientação ou indicação de suplementação mineral deve ser individualizada e orientada por um profissional de saúde, que poderá analisar todos os parâmetros bioquímicos, clínicos e até possíveis complicações, sempre de acordo com a particularidade de cada paciente.
 
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