+55 11 2925 6035

imagem da noticia
A enzima H+/K+-ATPase ou bomba de prótons, é a responsável pela secreção de ácido clorídrico no lúmen estomacal e está localizada nos canalículos das células parietais. Nesse sentido, os inibidores de bomba de prótons (IBP), são medicamentos responsáveis por inibir a produção da secreção ácida do estômago, aumentando o pH do suco gástrico e impedindo a troca de H+ e K+. Os IBP são amplamente utilizados para tratar distúrbios como a doença péptica e o refluxo gastresofágico, tendo como principal representante de sua classe o omeprazol (1,2).

Apesar de serem considerados seguros, o uso contínuo de IBP tem sido associado a prejuízos à saúde, incluindo aumento na incidência de infecções entéricas, aumento no risco de demência e até comprometimento na absorção de alguns nutrientes. Minerais como o ferro, magnésio e cálcio necessitam de um pH mais baixo para serem absorvidos corretamente e, desta forma, o uso contínuo de IBP pode ocasionar estados de deficiência destes elementos no organismo (3,4,5,6).

O ácido gástrico desempenha um papel fundamental na absorção do ferro, especialmente em sua forma não heme (origem vegetal) (7). Este tipo de ferro requer um meio ácido para reduzir o Fe3+ (férrico) em Fe2+ (ferroso), para posteriormente ser captado e absorvido na luz intestinal (8). Nesse sentido, a hipocloridria gerada pelo uso dos IBPs pode interferir na metabolização do ferro, induzindo, inclusive, quadros de anemia. Um estudo publicado recentemente no Journal of Internal Medicine avaliou os prontuários de cerca de 27 mil pacientes diagnosticados com carência de ferro, no intuito de relacionar a deficiência do mineral com o uso contínuo de IBP. Os resultados da pesquisa mostraram que os pacientes que utilizaram estes inibidores por mais de 3 anos apresentavam risco maior de deficiência de ferro em comparação com o grupo controle (9). Nesse mesmo sentido, diversos estudos de caso têm relatado a ocorrência de anemia grave em indivíduos que faziam o uso prologando de IBP, como resultado de uma menor secreção de ácido gástrico e redução na absorção gastrointestinal do nutriente (7,10).

A hipomagnesemia também vem sendo descrita como um efeito colateral do uso contínuo de IBP (11,12). Epstein e colaboradores relataram pela primeira vez dois pacientes tratados com omeprazol que apresentaram hipomagnesemia grave. Após a descontinuação do medicamento, os níveis de magnésio no soro e na urina se normalizaram e permaneceram dentro da faixa normal, sem suplementação. Apesar dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento da deficiência ainda não estejam elucidados, acredita-se que os IBP prejudiquem a absorção intestinal do magnésio (13).

O risco aumentado na ocorrência de fraturas é mais uma preocupação quando se fala do uso prolongado de IBP. Além da interferência no metabolismo do ferro e do magnésio, o cálcio também possui sua absorção prejudicada pela utilização contínua destes fármacos. Como a maioria do cálcio dietético está na forma de sais insolúveis, o pH mais alcalino dificulta a dissolução dos mesmos e consequentemente, altera sua absorção normal (14).  

Nesse cenário, é extremamente importante que a prescrição seja feita de modo consciente, a fim de analisar a real necessidade do uso contínuo de IBP. A preocupação com as complicações deve ser direcionada principalmente a pacientes mais vulneráveis, como idosos, desnutridos e imunocomprometidos, avaliando cuidadosamente a adequação e o tratamento com IBP (15).
Por fim, a suplementação de Minerais Aminoácidos Quelatos pode ser uma boa estratégia para os pacientes que não podem abdicar destes medicamentos, já que diferentemente de outras formas minerais, estes não requerem ambiente ácido para serem absorvidos e, portanto, possuem melhor absorção e biodisponibilidade (16).
 


Referências
  1. Wannmacher L. Inibidores da bomba de prótons: indicações racionais. Uso Racional de medicamentos: temas relacionados.2004; 2(1).
  2. Morschel CF, Mafra D, Eduardo JCC. Inibidores da bomba de prótons e sua relação com a doença renal. J. Bras. Nefrol. 2018; 40 (3): 301-306.
  3. Chinzon D, Chinzon M, Ruzzi AM. Perfil de segurança da terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP). 2015; 1 (1): 11-16.
  4. Yanagihara GR, de Paiva AG, Neto MP, Torres LH, Shimano AC, Louzada MJQ et al. Efeitos da administrac¸ão em longo prazo do omeprazol sobre a densidade mineral óssea e as propriedades mecânicas do osso. Rev Bras Ortop. 2015; 50 (2):232–238.
  5. Viegas A, Nabais S. Associação entre os inibidores da bomba de protões e o risco de demência. Rev Port Med Geral Fam. 2017; 33 (1): 79-80.
  6. Ascoli BM. Associação entre o uso de inibidores da bombas de prótons e deficiência de magnésio: um corte transversal [dissertação]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRS; 2012. 
  7. Dado DN, Loesch EB, Jaganathan SP. A Case of Severe Iron Deficiency Anemia Associated with Long-Term Proton Pump Inhibitor Use. Curr Ther Res Clin Exp. 2017; 84: 1-3.
  8. Fisberg M, Braga JAP, Barbosa TNN, Maritins FO. Funções Plenamente Reconhecidas de Nutrientes: Ferro. São Paulo: International Life Sciences Institute do Brasil, 2008.
  9. Tran- Duy A, Connel NJ, Vanmolkot FH, Souverein PC, de Wit NJ, Stehouwer CDA et al. Use of proton pump inhibitor and risk of iron deficiency: a populationbased case-control study. J Intern Med. 2018. DOI: 10.1111/joim.12826.
  10. Imai R, Higuchi T, Morimoto M, Koyamada R, Okada S. Iron Deficiency Anemia Due to the Long-term Use of a Proton Pump Inhibitor. Intern Med. 2018; 57 (6): 899-901.
  11. Hoorn EJ, van der Hoek J, de Man RA, Kuipers EJ, Bolwerk C, Zietse R. A Case Series of Proton Pump Inhibitor–Induced Hypomagnesemia. Am J Kidney Dis. 2010; 56 (1): 112-116.
  12. Epstein M, McGrath S, Law F. Proton-Pump Inhibitors and Hypomagnesemic Hypoparathyroidism. N Engl J Med. 2006; 355 (17); 1834-1836.
  13. Florentin M, Elisaf MS. Proton pump inhibitor-induced hypomagnesemia: A new challenge. World J Nephrol. 2012; 1 (6): 151-154.
  14. Chen J, Yuan YC, Leontiadis GI, Howden  CW. Recent Safety Concerns With Proton Pump Inhibitors. J Clin Gastroenterol. 2012; 46 (2): 93-114.
  15. Reimer C, Fellow R. Safety of long-term PPI therapy. Best Pract Res Clin Gastroentero. 2013; 27 (3): 443-454.
  16. Dossiê: os minerais na alimentação.  Food Ingredients Basil. 2008; (4): 48-64.

Materias relacionadas

imagem da noticia

A importância da colina para a saúde pré-natal

imagem da noticia

A ação do cobre como anti-inflamatório

imagem da noticia

Importância da colina para os primeiros 1000 dias de vida