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Micronutrientes e desenvolvimento cognitivo infantil 

 

O desenvolvimento é caracterizado como a capacidade progressiva do ser humano em realizar funções cada vez mais complexas. É um processo que abrange mudanças morfológicas e fisiológicas, onde as atividades que ocorrem nas células, tecidos e órgãos contribuem para o curso normal do ciclo de vida do ser humano. Nesse contexto, a nutrição adequada é fundamental para garantir o desenvolvimento bem como o crescimento, principalmente no período da infância, considerada uma das fases de maior vulnerabilidade relacionada ao aparecimento de infecções, desnutrição e alterações no sistema nervoso central.
 

Basicamente, o processo de desenvolvimento tem por base o aprimoramento das habilidades funcionais do organismo, que compreendem competências motoras, sociais, emocionais e cognitivas, onde a nutrição tem papel importante na promoção do crescimento físico, desenvolvimento neuropsicológico e combate às infecções. Alguns nutrientes, como o ômega-3, zinco e ferro possuem destaque especial neste período de intensas transformações, trazendo benefícios importantes à saúde infantil e especialmente, ao potencial cognitivo. 
 

 

Ômega-3

O ômega-3 é um ácido graxo de cadeia longa que possui diversas funções bioquímicas e fisiológicas no organismo, atuando, principalmente, no funcionamento do sistema nervoso e visão. Alguns estudos têm relatado que a maior ingestão do ômega-3 pode estar relacionada com a diminuição do risco de maus resultados em testes de desenvolvimento visual e cognitivo, com efeitos duradouros na infância. Um ensaio duplo-cego randomizado, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, analisou a maturação visual de bebês suplementados com fórmulas contendo ômega-3, durante o período de um ano. Como resultado, observou-se que a inclusão de 0,36% de DHA na fórmula infantil foi essencial para uma melhora da acuidade visual no primeiro ano de vida.
 

Um outro estudo verificou os efeitos da suplementação de 400mg de DHA nas funções cognitivas de crianças de 4 anos de idade, por 4 meses. No final do estudo, foi possível observar uma relação positiva entre altos níveis sanguíneos de ômega-3 e uma melhor compreensão auditiva e aquisição de vocabulário. Acredita-se que o aumento da oferta de DHA para o cérebro resulta em mudanças na composição de ácidos graxos do tecido cerebral, alterando sua estrutura e afetando de forma positiva seu funcionamento. 

 

Zinco

O zinco é um mineral muito importante em diversos processos fisiológicos do organismo, cumprindo funções estruturais, reguladoras e bioquímicas. No que diz respeito ao sistema nervoso central, o zinco atua na produção de síntese de proteínas importantes para a produção de neurotransmissores, favorecendo a atividade entre seus receptores. Moura e colaboradores investigaram os efeitos da suplementação de 5mg Zn/dia, por 3 meses em crianças com idade entre 6 a 9 anos, chegando à conclusão de que o tratamento foi responsável por melhorar o rendimento acadêmico dos escolares, já que aumentou significativamente o quociente de inteligência verbal dos mesmos. 


 

Ferro

O ferro é outro mineral que tem papel decisivo na cognição. Uma revisão sistemática descreveu os efeitos da suplementação diária de ferro em crianças em idade escolar, constatando uma relação positiva entre maiores quantidades de ferro e a melhora no desempenho cognitivo, onde pontuações cognitivas globais superiores estavam associadas a intervenção com o mineral. Aparentemente, crianças anêmicas são as mais suscetíveis a esse quadro, pois baixos níveis de hemoglobina relacionam-se com prejuízos no transporte de oxigênio, alterando aspectos de neurotransmissão e processos de mielinização.
 

Nesse sentido, a evolução do potencial intelectual durante a infância é um processo que abrange diversas variáveis, englobando fatores econômicos, sociais, culturais e inclusive, nutricionais. Assim, a nutrição exerce um papel importante neste processo, onde alguns nutrientes como o ômega-3, ferro e zinco influem diretamente no desenvolvimento adequado do sistema nervoso, colaborando com diversas funções cognitivas, como por exemplo, o aprendizado. Por isso, é essencial o acompanhamento pediátrico durante a infância, onde o profissional da saúde pode observar possíveis deficiências e supervisionar o progresso da criança ao longo dos anos. 
 




 

Referências 

- Pedraza DF, Queiroz, D. Micronutrientes no Desenvolvimento e Crescimento Infantil. Rev. Bras. Crescimento Desenvolvimento Hum. 2011; 21 (1): 156-171.

- MOREIRA, LMA. Desenvolvimento e crescimento humano: da concepção à puberdade. In: Algumas abordagens da educação sexual na deficiência intelectual. 3rd ed. Salvador: EDUFBA, 2011.P. 113-123.

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