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A fertilização e a gravidez são processos complexos que exigem o adequado funcionamento do sistema reprodutivo tanto do homem quanto da mulher. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada como ausência de gravidez após dozes meses de relações sexuais regulares, sem uso de métodos contraceptivos. Nos últimos anos, a infertilidade tem se tornado um problema de saúde pública mundial, afetando cerca de 15% de todos os casais em idade reprodutiva.
 

Diversos fatores podem influenciar a capacidade reprodutiva humana, o que inclui a nutrição. Uma revisão sistemática publicada no American Journal of Obstetrics and Gynecology, avaliou a relação entre a dieta e infertilidade. Os autores sugeriram que a suplementação com ácido fólico por mulheres, além de ser essencial durante o início da gestação para a prevenção de defeitos no fechamento do tubo neural do bebê, também demonstra ser fundamental para o sucesso reprodutivo. De fato, um estudo de coorte prospectiva envolvendo 3895 mulheres, associou a suplementação de ácido fólico com o aumento da fecundabilidade naquelas que apresentavam ciclos menstruais irregulares. Nesse sentido, a suplementação pré-concepcional com esse nutriente é capaz de otimizar a fertilidade, através do aumento dos níveis de folato e diminuição das concentrações de homocisteína (molécula oxidante tóxica para as células) no fluido folicular. Além disso, altos níveis de folato estão associados com um menor risco de aborto espontâneo.
 

O ferro é outro nutriente que também está envolvido na função reprodutiva. Um estudo observou que o uso de suplementos de ferro por mulheres diminuiu o risco das mesmas desenvolverem disfunção ovulatória. Os autores acreditam que a presença da transferrina (proteína transportadora de ferro) seja essencial para o desenvolvimento dos óvulos, além de ser necessária para atender o aumento na demanda de ferro do folículo em amadurecimento.
 

Outro mineral importante em relação a reprodução é o zinco, especialmente quando se trata do público masculino. Em homens inférteis, os níveis de zinco no plasma seminal são expressivamente menores quando comparados a homens férteis. O zinco exerce diversas funções no sistema reprodutivo, contribuindo na motilidade dos espermatozoides, aumento do volume do sêmen e manutenção da morfologia espermática normal. Além disso, a suplementação com esse mineral pode melhorar significativamente a qualidade dos espermatozoides e, assim, aumentar as taxas de sucesso na fecundação.
 

A vitamina D e os ácidos graxos essenciais também são nutrientes estudados por sua relação com a fertilidade, surtindo efeitos para homens e mulheres. Nessas, acredita-se que a deficiência de vitamina D esteja envolvida com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das principais causas de infertilidade. Além disso, níveis mais altos deste nutriente parecem influenciar positivamente nos resultados da fertilização in vitro. Nos homens, a vitamina D está relacionada com o processo de espermatogênese, qualidade do sêmen e hipogonadismo. Em relação às gorduras poli-insaturadas, a maior ingestão de ômega-3 foi associada com uma morfologia espermática mais favorável. Já nas mulheres, níveis mais elevados de ômegas 3 e 6 acarretaram em maior incidência de gravidez.
 

Além desses nutrientes, diversos autores têm demonstrado uma relação direta entre a suplementação de vitaminas C e E e fertilidade masculina. Em 2015, um estudo observou que a suplementação de vitamina C (250 mg/dia) em homens inférteis acarretou em maior motilidade dos espermatozoides. Outro estudo relatou melhora da motilidade espermática em homens com astenozoospermia (diminuição ou ausência de motilidade dos espermatozoides) após a suplementação oral de 100 mg de vitamina E. Além disso, durante o período do estudo (seis meses), 21% dos pacientes pertencentes ao grupo tratado atingiram a gravidez.
 

A ciência tem demonstrado evidências da importância de alguns nutrientes para a fertilidade. Dessa forma, torna-se perceptível que a ingestão adequada de nutrientes é essencial para a manutenção da saúde em diversos aspectos, promovendo melhor qualidade de vida e contribuindo para a saúde reprodutiva de homens e mulheres.


 

 

Referências
 

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