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O dia 3 de junho é considerado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, que tem como intuito informar sobre os cuidados necessários para combater essa doença que afeta milhões de crianças em todo o mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade infantil é considerada um dos mais sérios desafios à saúde pública do século XXI, cuja prevalência vem aumentando a um ritmo alarmante.

Globalmente, o número de crianças acima do peso com menos de cinco anos é estimado em mais de 41 milhões. No Brasil, a população está passando por uma transição nutricional, caracterizada pela redução dos casos de desnutrição e aumento do sobrepeso e obesidade infantil. Um estudo com 37.801 crianças e adolescentes brasileiros identificou que a prevalência de sobrepeso e obesidade foi de quase 30%, enquanto menos de 5% dos jovens estavam abaixo do peso normal.

A obesidade infantil é preocupante porque iniciam as crianças em um caminho de problemas de saúde que antes pensava-se que acometiam apenas os adultos, como diabetes, colesterol alto e hipertensão. Além disso, muitas crianças permanecerão obesas na idade adulta, com maior propensão de desenvolverem doenças cardiovasculares, distúrbios músculo-esqueléticos (especialmente osteoartrite) e até mesmo alguns tipos de câncer, como de cólon, mama e endométrio.

A obesidade infantil também pode ter consequências psicológicas e na vida social da criança, ocasionando depressão e baixa auto-estima.

Fome oculta

De acordo com a OMS, uma das principais causas dos níveis crescentes de obesidade infantil é a mudança no padrão da dieta com o aumento da ingestão de alimentos ricos em calorias, gorduras e açúcares, e pobres em vitaminas e minerais.

Esse tipo de dieta pode acarretar deficiências de micronutrientes, fenômeno conhecido como fome oculta, que afeta uma em cada três pessoas globalmente. Assim, embora possa parecer paradoxal, uma criança obesa ou com sobrepeso pode sofrer de fome oculta.

Vários estudos identificaram altas prevalências de deficiências de micronutrientes como vitamina D, ferro e zinco entre crianças com sobrepeso ou obesas. Essas deficiências nutricionais podem ocasionar diversos efeitos negativos à saúde, potencialmente irreversíveis a longo prazo, como prejuízos no crescimento, no desenvolvimento, na imunidade contra infecções, na função cognitiva e no comportamento das crianças.

Dada a gravidade da fome oculta, sugere-se que as crianças com sobrepeso ou obesas devam ser rotineiramente examinadas e, conforme a necessidade, o uso de suplementos de vitaminas e minerais deve ser adotado para a correção das deficiências nutricionais.

Combatendo a obesidade infantil

Segundo a OMS, uma das melhores estratégias para reduzir a obesidade infantil é melhorar os hábitos alimentares. A escolha de alimentos saudáveis e ricos em micronutrientes é fundamental para bebês e crianças, porque as preferências alimentares são estabelecidas no início da vida.

Ainda de acordo com a OMS, a amamentação exclusiva do nascimento até os 6 meses de idade é uma maneira eficaz de auxiliar na prevenção do desenvolvimento de sobrepeso ou obesidade infantil.

 Outro importante aliado no combate à obesidade infantil é a prática regular de atividades físicas. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos pratiquem pelo menos uma hora por dia de atividade física moderada a intensa.

O sobrepeso e a obesidade infantil, bem como a fome oculta, são, em grande parte, evitáveis. Dadas as diversas consequências negativas à saúde que estas desordens podem causar, a prevenção e tratamento precisam de alta prioridade, protegendo a saúde das crianças agora e no futuro.
 


Referências
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