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Cada vez mais tem se observado que qualquer pessoa que sinta uma súbita perda de olfato (anosmia) e paladar (ageusia) pode ser uma "transmissora oculta" do SARS-CoV-2, o novo coronavírus que causa a síndrome COVID-19, mesmo que não tenha outros sintomas mais comumente reconhecidos.

A Professora Clare Hopkins, presidente da Sociedade Britânica de Rinologia, e o professor Nirmal Kumar, presidente da Associação Britânica de Otorrinolaringologia, declararam em um comunicado conjunto que muitos pacientes em todo o mundo que deram positivo para a COVID-19 estão apresentando apenas os sintomas de perda de olfato e paladar, sem os sintomas mais comumente reconhecidos de febre alta e tosse.

"Houve um número crescente de relatos de um aumento significativo no número de pacientes apresentando anosmia na ausência de outros sintomas", diz o comunicado. "O Irã relatou um aumento repentino de casos de anosmia isolada, e muitos colegas dos EUA, França e norte da Itália têm a mesma experiência". Eles disseram ainda que "Na Coréia do Sul, onde os testes têm sido mais difundidos, 30% dos pacientes com testes positivos apresentaram anosmia como o principal sintoma em casos leves".

Vale notar que os sintomas de anosmia e ageusia da COVID-19 são também característicos da deficiência de zinco (hipozincemia). A deficiência deste mineral afeta cerca de um terço da população mundial, acometendo igualmente pessoas de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ainda, a maioria das mortes por COVID-19 concentra-se em idosos com comorbidades comuns, como hipertensão, diabetes ou obesidade. Em geral, estes indivíduos apresentam uma alta prevalência de deficiência de zinco.

Na vigência de uma infecção, o organismo pode mobilizar as reservas de zinco para funções prioritárias, como as associadas ao sistema imune, levando a uma queda de seus níveis e, possivelmente, falta para outras funções menos essenciais, como a manutenção do olfato e paladar. Vale notar que a diarreia, outro sintoma que pode estar associado à COVID-19, pode reduzir ainda mais os níveis desse nutriente no organismo por má-absorção.

O zinco é necessário para a síntese da gustina, uma proteína ligada à produção das papilas gustativas, estruturas presentes na língua responsáveis pela percepção do sabor. A diminuição da gustina está associada a distúrbios do paladar e do olfato, que são reversíveis pela suplementação deste mineral. Estudos indicaram que a hipozincemia resulta em prejuízos funcionais e morfológicos das papilas gustativas, sendo os idosos os principais acometidos.

Por outro lado, diversos estudos clínicos com grupos de risco da COVID-19, como idosos e pacientes crônicos renais, comprovaram que a suplementação com zinco pode ser eficaz no tratamento da anosmia e ageusia. Portanto, pode-se inferir que a hipozincemia, prevalente nos grupos de risco da COVID-19, possa estar, pelo menos em partes, relacionada com os sintomas de anosmia e ageusia nos pacientes infectados.

O zinco é também fundamental na manutenção da integridade do sistema imunológico, enquanto a sua deficiência, mesmo que marginal, resulta em disfunção da imunidade e aumenta a suscetibilidade a doenças infecciosas, inclusive de causas virais. Em suma, pode-se concluir que a suplementação de zinco pode repercutir não só no fortalecimento do sistema imunológico, mas também nos sintomas secundários da COVID-19, como a anosmia e ageusia. Vale notar que os professores Clare Hopkins e Nirmal Kumar sugerem que qualquer pessoa que apresente estes sintomas se auto-isole para impedir a propagação da doença.
 




Referências
 
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