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O dia 21 de setembro foi instituído como Dia Mundial da Doença de Alzheimer e Dia Nacional da Conscientização da Doença do Alzheimer, com o intuito de esclarecer os sintomas desse transtorno e combater o estigma que envolve essa condição. Em 2021, a 10º edição da campanha tem como tema alertar sobre os sinais de demência, incentivando as pessoas a buscar informações, aconselhamento e apoio, bem como a entrar em contato com associações de Alzheimer em sua cidade [1].

   A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais prevalente, caracterizada pela perda do desempenho cognitivo que se reflete na memória, no aprendizado e na atenção, devido à morte de células cerebrais [2, 3]. Com a evolução da doença, os sintomas progridem de forma mais leve ou mais intensa, podendo chegar a situações em que o paciente fica desorientado dentro da própria casa, desenvolve comportamento agressivo e alucinações, além de apresentar danos nos processos fisiológicos, que se manifestam, por exemplo, no ato de deglutir ou na incontinência urinária e fecal [3, 4].

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 35 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença de Alzheimer no mundo, das quais 1,2 milhões são brasileiros, e esses números tendem a dobrar até 2050 diante do aumento da expectativa de vida global [5].

   Embora a doença de Alzheimer seja neurodegenerativa e cada dia mais prevalente no mundo, ainda não foi identificada sua cura ou um tratamento que atue na causa do seu desenvolvimento [6]. O foco das terapias disponíveis é reduzir a velocidade de progressão da doença e minimizar a intensidade dos sintomas [7]. Assim, diversos esforços têm sido feitos em busca de estratégias para a prevenção do seu desenvolvimento.

Nesse cenário, a nutrição surge como uma abordagem com grande potencial, dado o aumento de evidências científicas sugerindo que intervenções nutricionais podem proteger o cérebro dos danos naturais do envelhecimento e das causas da demência, e que micronutrientes e componentes bioativos da dieta têm se mostrado como poderosos aliados nesse combate [7, 8].
O magnésio é um mineral importante para a função cognitiva e saúde cerebral. Os níveis de magnésio plasmático apresentam-se diminuídos em pacientes com doença de Alzheimer leve à moderada, conforme estudo publicado em 2011. A população analisada incluiu 101 pacientes idosos, onde a concentração de magnésio ionizado foi significativamente menor no grupo portador da doença de Alzheimer e apresentou correlação com a função cognitiva, no qual os indivíduos com as menores concentrações séricas de magnésio obtiveram menores pontuações em testes cognitivos [9].

A colina, as vitaminas do complexo B e o ácido fólico atuam de forma sinérgica no metabolismo da homocisteína (Hcy), um conhecido oxidante celular, reduzindo a sua concentração sérica [10, 11]. Níveis elevados de Hcy estão relacionados a maiores chances de redução da performance cognitiva, demência e desenvolvimento da doença de Alzheimer [12].

Já a vitamina K2, pertencente à família da vitamina K, possui conhecido papel anti-inflamatório, antioxidante e promotor da saúde neuronal e vascular no tecido cerebral. Conforme demonstrado em estudos pré-clínicos, a vitamina K2 tem ação promissora na proteção do cérebro e na prevenção do desenvolvimento de diversas doenças neurológicas, o que inclui a doença de Alzheimer [13].

A dieta e a suplementação nutricional são fatores importantes na prevenção e desenvolvimento de diversas patologias, o que inclui as de ordem neurológica. Nesse sentido, espera-se que mais estudos clínicos sejam desenvolvidos, considerando macro e micronutrientes como adjuvantes terapêuticos não-farmacológicos para uma melhor qualidade de vida aos portadores da doença de Alzheimer.

Produzido por: Pietra Sacramento Prado, BSc e Renata Cavalcanti, PhD
 







Referências
1.         Ministério da Saúde Brasil. 2021; https://bvsms.saude.gov.br/conhecer-a-demencia-conhecer-o-alzheimer-o-poder-do-conhecimento-setembro-mes-mundial-do-alzheimer/. Accessed 14/09/2021. 2.         Alzheimer’s Association. 2021; 17 (3):https://www.alz.org/media/documents/alzheimers-facts-and-figures.pdf. Accessed 26/08/2021. 3.         Soria Lopez J.A., González H.M., Léger G.C. Handbook of clinical neurology. 2019;167:231-255. 4.         Eratne D., Loi S.M., Farrand S., Kelso W., et al. Australas Psychiatry. 2018;26(4):347-357. 5.         Ministério da Saúde Brasil. 2021; https://bvsms.saude.gov.br/21-9-dia-mundial-da-doenca-de-alzheimer-e-dia-nacional-de-conscientizacao-da-doenca-de-alzheimer/. Accessed 26/08/2021. 6.         Briggs R., Kennelly S.P., O'Neill D. Clin Med (Lond). 2016;16(3):247-253. 7.         Power R., Prado-Cabrero A., Mulcahy R., Howard A., et al. Annu Rev Food Sci Technol. 2019;10:619-639. 8.         McGrattan A.M., McGuinness B., McKinley M.C., Kee F., et al. Curr Nutr Rep. 2019;8(2):53-65. 9.         Barbagallo M., Belvedere M., Di Bella G., Dominguez L.J. Magnes Res. 2011;24(3):S115-121. 10.       Olthof M.R., Brink E.J., Katan M.B., Verhoef P. Am J Clin Nutr. 2005;82(1):111-117. 11.       Scott J.M. Proc Nutr Soc. 1999;58(2):441-448. 12.       Garcia A., Zanibbi K. CMAJ. 2004;171(8):897-904. 13.       Coyle J.T., Price D.L., DeLong M.R. Science. 1983;219(4589):1184-1190. 14.       McCully K.S. JAMA. 1998;279(5):392-393. 15.       Quadri P., Fragiacomo C., Pezzati R., Zanda E., et al. Am J Clin Nutr. 2004;80(1):114-122. 16.       Popescu A., German M. Nutrients. 2021;13(7).

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