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A busca por uma melhor qualidade de vida tem gerado uma crescente preocupação em adotar hábitos alimentares saudáveis e que supram as necessidades nutricionais. Entretanto, a atual rotina agitada faz com que o preparo de refeições demande um tempo considerável, tornando-se inviável para muitas pessoas. Assim, a busca de alternativas para suprir possíveis carências nutricionais, como os suplementos dietéticos, tem aumentado consideravelmente. Muitos indivíduos recorrem ao consumo destes suplementos no intuito de satisfazer a carência principalmente de vitaminas e minerais, mas nem sempre selecionam marcas de boa qualidade para realizar a complementação.

De acordo com a Anvisa, suplementos vitamínicos e minerais são alimentos que servem para complementar a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos em que sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente. No Brasil, alguns estudos têm mostrado que o consumo destes suplementos chega a ser comparável ao encontrado nos Estados Unidos, que é um dos líderes mundiais nesse assunto. Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) avaliou 7 capitais brasileiras e sua relação com o consumo de suplementos. Dentre os resultados, observou-se que 54% dos lares brasileiros afirmaram ter pelo menos um indivíduo consumindo suplementos, como ômega-3, cálcio e ferro. Além disso, 96% dos entrevistados relataram estar satisfeitos com os resultados. Em contrapartida, a pesquisa também demonstrou que cerca de 19% dos indivíduos realizam a compra de seus suplementos pelo critério de preço, seguidos por 14% que observam a formulação e apenas 13% que analisam a marca ou procedência. Este dado é preocupante, uma vez que nem todas as marcas disponíveis no mercado apresentam uma boa qualidade e formulação, e muitas vezes, declaram no rótulo informações não condizentes com a real composição do produto.

Um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP analisou as dosagens das vitaminas A, C e E em alguns suplementos adquiridos no comércio do município de São Paulo. Das 57 amostras avaliadas, 59% apresentaram doses de vitamina A abaixo dos valores descritos no rótulo, o mesmo ocorreu com 35% das amostras no que diz respeito aos teores de vitamina E. Por outro lado, uma média de 20% dos suplementos demonstraram valores de vitamina E acima do declarado. Outro ponto alarmante mencionado no estudo foi que 47 amostras analisadas apresentavam uma ou mais irregularidades nos aspectos de rotulagem.

Além de informações nutricionais incoerentes descritas nos rótulos, alguns suplementos também apresentam outras falhas nas embalagens. De acordo com um artigo que avaliou a conformidade de 154 marcas de suplementos na região de Teresina, no Piauí, 51% estavam fora dos critérios de rotulagem impostas pela legislação, sendo que os erros mais frequentes foram: a designação incorreta do produto e a omissão da descrição das advertências obrigatórias. Com isso, muitos indivíduos adeptos à suplementação acabam por adquirir produtos de baixa qualidade, apresentando falhas graves na rotulagem ou até mesmo na composição nutricional. Portanto, fica evidente a importância do consumo de suplementos de marcas confiáveis e de boa procedência, bem como da realização de um acompanhamento com um profissional para a prescrição de suplementos que realmente sejam necessários para o indivíduo.



Referências
Ministério da Saúde. Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprova o regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de suplementos vitamínicos e ou de minerais. Diário Oficial da União 1998; 15 jan.

 Abe-Matsumoto LT, Sampaio GR, Bastos DHM. Suplementos vitamínicos e/ou minerais: regulamentação, consumo e implicações à saúde. Cad. Saúde Pública. 2015; 31(7): 1371-80.

Aditivos & Ingredientes: ABIAD divulga pesquisa inédita sobre consumo de suplementos alimentares no país. Insumos, fev. 2016. Mensal. Disponível em:<http://aditivosingredientes.com.br/upload_arquivos/201603/201603055355000145 7550119.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2018.
 
Abe-Matsumoto LT. Determinação de vitaminas antioxidantes em suplementos e avaliação da rotulagem nutricional [tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública; 2016.

Ibiapina AB, Lucena MA, Oliveira CR, Oliveira LVC, Ribeiro AB. Avaliação da rotulagem de suplementos vitamínicos e/ou minerais. Infarma Ciências Farmacêuticas. 2017; 29: 21-26.

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