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O envelhecimento é, muitas vezes, acompanhado de um risco nutricional aumentado, que pode prejudicar as condições de saúde do indivíduo. Esse risco nutricional pode estar associado a diversos fatores, como: redução da ingestão de alimentos e de nutrientes que dão energia; alterações biológicas no sistema digestivo, inerentes à idade;  condições médicas e psicológicas desfavoráveis;  polifarmácia, ou seja, uso de diversos medicamentos; e questões sociais, como a pobreza e a incapacidade de fazer compras e preparar refeições.
 

Sabe-se que as mulheres na pós-menopausa  possuem um risco aumentado de eventos cardiovasculares, osteoporose e fraturas. Por outro lado, sabe-se, também, que é possível chegar a  esse período da vida sem deficiências ou doenças associadas, uma vez que as necessidades individuais diferem de acordo com a saúde, o estilo de vida e genética de cada um, dentre outros fatores.

 

 

 O que fazer para chegar à menopausa com saúde e conseguir mantê-la no período da pós-menopausa?
 

A chave é uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis! No entanto é preciso ter atenção às deficiências de micronutrientes, que podem ocorrer de tempos em tempos e cujos efeitos sobre a saúde dependem da duração e da gravidade dessas deficiências. Nesse caso, estratégias nutricionais podem ser efetivas para a prevenção de complicações, inclusive  daquelas relacionadas à menopausa.
 

Embora a necessidade individual nem sempre seja  fácil de ser dimensionada, o consumo de suplementos dietéticos ou multivitamínicos tem mostrado ser uma opção eficiente na superação de carências nutricionais e ajudam a neutralizar possíveis problemas de saúde causados pela inadequação alimentar. Os suplementos e multivitamínicos fornecem nutrientes que podem estar faltando na dieta e contribuem para que as metas de consumo recomendadas sejam atingidas.
 

Em contrapartida, a ingestão de nutrientes adicionais fornecidos pelos suplementos pode  ultrapassar  o limite superior tolerável, além de causar reações adversas e interações não desejáveis com outros medicamentos ou suplementos consumidos. Daí a importância de a suplementação dietética ou multivitamínica ter  o acompanhamento de  um profissional adequado, seja médico ou nutricionista, a depender de cada caso.
 

 

 Quais as deficiências ou os problemas comuns na pós-menopausa e quais suplementos utilizados têm se mostrado úteis?
 

Além de doenças cardiovasculares, a osteoporose e fraturas ósseas são os problemas de saúde mais comuns que as mulheres enfrentam na pós-menopausa.
 

Observou-se que um certo número de mulheres na idade da menopausa tem medo de aumentar sua massa corporal e tenta reduzi-la espontaneamente para evitar a obesidade ou o excesso de peso. Essa atitude, muitas vezes, está associada a hábitos alimentares inadequados, que podem levar a déficit de muitos nutrientes importantes para a saúde nesse período, o que, por sua vez, poderá acelerar os processos de envelhecimento e aumentar o risco de muitas doenças, incluindo a osteoporose.
 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a osteoporose é uma doença sistemática do esqueleto, caracterizada por baixos níveis de densidade óssea e por microestrutura deficiente do tecido ósseo, levando ao aumento da fragilidade óssea e à ocorrência de fraturas. Os fatores nutricionais representam um componente importante no  tratamento preventivo da osteoporose; o consumo apropriado de cálcio, vitamina D, fósforo, sódio e proteínas pode diminuir o seu risco.
 

A proporção de ingestão de cálcio em relação à de fósforo é um  aspecto importante a ser considerado na avaliação nutricional, uma vez que o fornecimento excessivo de fósforo associado a um déficit simultâneo de lactose ou de vitamina D pode inibir a absorção de cálcio no trato digestivo. A proporção de Cálcio / Fósforo na dieta de mulheres na pós-menopausa deve ser de 1,3 para 1.
 

O teor de fósforo nos alimentos processados tende a ser elevado, principalmente devido ao uso de aditivos que são introduzidos em produtos alimentares no processo tecnológico. A ingestão excessiva de álcool e de cafeína também é capaz de causar a perda do cálcio por meio do aumento da excreção na urina. Algumas plantas e produtos relacionados, como leguminosas (soja, feijão) e nozes (sementes de girassol e de gergelim, avelãs), apresentam  teor relativamente alto de cálcio. No entanto, o nível de absorção de cálcio dos produtos vegetais fica apenas entre 5 e 15%, pois muitos deles possuem alta proporção de fibras bem como de oxalatos, que limitam a absorção desse mineral.
 

As fontes mais valiosas de cálcio são o leite e os produtos lácteos. Mas as mulheres com intolerância à lactose geralmente restringem o consumo desses alimentos, tornando sua dieta deficiente em cálcio. Em caso de consumo restrito de produtos lácteos, recomendam-se fontes alternativas de cálcio, como, por exemplo, alimentos processados à base de soja, soro de leite e produtos contendo hidrolisados de caseína.
 

Não só o cálcio é importante para o tecido ósseo. O metabolismo do tecido ósseo também requer uma dieta com um suprimento adequado de vitaminas, incluindo vitamina A, C e K. Além disso, às mulheres que atendem à ingestão recomendada de magnésio tem sido conferido menor risco de fraturas. Os probióticos também têm sido apontados como promovedores de efeitos favoráveis ​​sobre o metabolismo ósseo, constituindo-se em uma abordagem alternativa para prevenir e/ou tratar a osteoporose.
 

Fonolla-Joya e colaboradores (2016) avaliaram os efeitos de um produto lácteo enriquecido com ácidos graxos poli-insaturados, cálcio, ácido oléico e vitaminas em marcadores cardiovasculares e metabolismo ósseo em 103 mulheres entre 50 e 70 anos, na pós-menopausa, com risco cardiovascular moderado (medido por meio de parâmetros como obesidade abdominal, consumo de tabaco, glicemia, colesterol LDL e HDL, etc). Elas, durante 12 meses, foram separadas em dois grupos, dos quais um recebeu o produto lácteo enriquecido e o outro não. A suplementação dietética com a bebida láctea enriquecida induziu um efeito positivo contra o risco cardiovascular e nos parâmetros do metabolismo ósseo, indicando que o seu consumo regular pode ser um suporte nutricional útil para mulheres na pós-menopausa.
 

Wawrzyniak e colaboradores (2017) avaliaram as diferenças existentes no consumo de nutrientes específicos de 100 mulheres, entre 51 e 70 anos, com e sem osteoporose diagnosticada. Verificou-se que as mulheres que sofriam de osteoporose consumiam  quantidades significativamente mais baixas de gordura (16%) e energia (13%)  bem como de vitaminas A ( 16%), E ( 20%), B6 ​​( 20%), niacina (16%) e C (19%) do que aquelas que não apresentavam a doença. Diferenças no consumo de minerais  como cálcio, fósforo, sódio e potássio, também foram observadas, sendo menores naquelas mulheres com osteoporose (14%, 13%, 21% e 19%, respectivamente).
 

Observa-se, assim, que uma dieta bem equilibrada e saudável é essencial para prevenir doenças e reduzir as complicações causadas por elas.
 

Se, por ventura, uma dieta for  de má qualidade, somada a um estilo de vida não saudável, dificilmente as deficiências poderão ser compensadas somente com suplementos. Mas, em casos de doença aguda ou períodos de adversidade bem como de alimentação inadequada, um suplemento nutricional pode reduzir o risco de deficiências de nutrientes e contribuir para uma vida mais saudável.
 

 

Referências Bibliográficas:
 

BIESALSKI, H. K. et al. Multivitamin/mineral supplements: rationale and safety. Nutrition, v. 36, p. 60-6, 2017.

FONOLLA-JOYA, J. et al. Daily intake of milk enriched with n-3 fatty acids, oleic acid, and calcium improves metabolic and bone biomarkers in postmenopausal women. J Am Coll Nutr., v. 35, n. 6, p. 529-36, 2016.

GAHCHE, J. J. et al. Dietary supplement use was very high among older adults in the United States in 2011–2014. The Journal of Nutrition, 2017. Disponível em:<http://jn.nutrition.org/content/early/2017/08/30/jn.117.255984.abstract>.

MOYERSOEN, I. et al. Intake of fat-soluble vitamins in the belgian population: adequacy and contribution of foods, fortified foods and supplements. Nutrients, v. 9, n. 8, p. 860, 2017.

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