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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino que interfere no processo normal de ovulação da mulher, em virtude de um desequilíbrio hormonal que leva à formação de cistos, principal característica da doença. Os níveis aumentados do hormônio masculino (testosterona), presentes nos resultados laboratoriais, podem se manifestar no excesso de pelos no rosto, seios e abdômen (hirsutismo), queda de cabelo, manchas e oleosidade na pele, acnes, irregularidade menstrual e, até mesmo, na infertilidade [1-3].


Esta síndrome afeta entre 5% e 13% das mulheres em idade reprodutiva [3], principalmente, entre 17 e 39 anos. As portadoras da síndrome ovulam com menor frequência e têm ciclos menstruais, em geral, irregulares [2]. Além das manifestações no sistema reprodutivo, muitas pacientes com SOP também desenvolvem outras doenças crônicas associadas como obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer de endométrio [3].


Por se tratar de uma doença crônica, os objetivos do tratamento não são apenas relacionados aos fatores reprodutivos e físicos, mas, também, à prevenção das comorbidades associadas [2]. Portanto, mudanças no estilo de vida como dieta, atividade física e controle do peso, associadas à medicação, têm papel fundamental no tratamento dessa doença.


Nesse sentido, a suplementação nutricional é uma aliada importante para a manutenção da saúde dessas mulheres, principalmente porque estudos demonstram que a maioria das mulheres com SOP consome uma dieta desbalanceada, envolvendo deficiências de diversos nutrientes como cálcio, magnésio, zinco e vitaminas (ácido fólico, vitamina C, vitamina B12 e vitamina D) [4].
A seguir veremos o papel de alguns dos principais nutrientes associados à maior qualidade de vida para portadoras da SOP:

Vitamina D
Mulheres acometidas pela SOP tendem a apresentar uma elevada prevalência de deficiência de vitamina D e vários sintomas metabólicos já foram correlacionados com a concentração sérica de 25(OH)D, sugerindo que a falta de vitamina D pode desempenhar um papel na patogênese da SOP [5]. Nesse sentido, estudos mostram que a deficiência da vitamina D pode estar relacionada ao desenvolvimento de hirsutismo, ao menor sucesso gestacional, diabetes tipo 2, à obesidade e à dislipidemia. Existem também evidências de um efeito benéfico da suplementação da vitamina D na disfunção menstrual, gerando, assim, uma relação entre a vitamina D e a melhora dos sintomas da SOP [2].

Ômega-3
O ômega-3 é composto por dois ácidos graxos poliinsaturados, o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA). Estes ácidos graxos poliinsaturados melhoram o desempenho reprodutivo da paciente com SOP, otimizando a secreção de hormônios e funções ovarianas [6].
Além disso, estudos que investigaram o efeito da suplementação de ômega-3 em pacientes com SOP relataram uma melhora em várias complicações e comorbidades, incluindo resistência à insulina, dislipidemia, hiperandrogenismo, melhora dos níveis de colesterol total, LDL e triglicerídeos [7].

Zinco
O zinco é um mineral que desempenha um importante papel no metabolismo dos lipídios e da glicose, e na fertilidade [8]. A deficiência de zinco pode desempenhar um papel significativo na patogênese da SOP, servindo, inclusive, como marcador prognóstico da síndrome. Pesquisas mostram que os níveis séricos médios de zinco em pacientes com SOP são significativamente mais baixos em comparação com controles saudáveis [9].


Associações de nutrientes também mostraram resultados promissores. A suplementação combinada de magnésio, zinco, cálcio e vitamina D, em um estudo conduzido em 2018, levou a uma redução significativa no hirsutismo e no nível de testosterona total, em comparação com o placebo [10]. Outro estudo que investigou a combinação de vitamina D e ômega 3, verificou que houve redução dos parâmetros de inflamação e dos níveis totais de testosterona [11].


Por fim, apesar de se tratar de uma doença sem cura, os sintomas da SOP, assim como as comorbidades associadas, podem ser controlados mediante acompanhamento médico multidisciplinar. Ao apresentar algum sinal da doença, procure um ginecologista para realizar os exames necessários, a fim de ter uma intervenção médica precoce. A orientação e assistência médica e nutricional são um diferencial, especialmente nos casos de risco de infertilidade [3], assim como na promoção de uma melhor qualidade de vida, ao evitar o desenvolvimento de outras comorbidades crônicas.
 
Produzido por: Pietra Sacramento Prado, BSc e Renata Cavalcanti, PhD
 





Referências
1.    Rocha M.P.M., J.A.; Barcellos, C.R.; Hayashida, S.A.;. Gynecol Endocrinol. 2011:814-819. 2.    Santos T.S., de Santana Batista A., Brandão I.M., de Carvalho F.L.O., et al. Revista Saúde em Foco. 2019;11. 3.    Sociedade Brasileira de Patologia. 2016; http://www.sbp.org.br/precisamos-falar-sobre-a-sindrome-dos-ovarios-policisticos/?gclid=CjwKCAjwmqKJBhAWEiwAMvGt6M5Lf81_OWvnwIQdyUWA1xH3uoHw4Lk74KyF-ytQrTlpEo8A2hpCqhoCD3EQAvD_BwE4.    Szczuko M., Skowronek M., Zapalowska-Chwyc M., Starczewski A. Rocz Panstw Zakl Hig. 2016;67(4):419-426. 5.    Fang F., Ni K., Cai Y., Shang J., et al. Complement Ther Clin Pract. 2017;26:53-60. 6.    Ma X., Weng X., Hu X., Wang Q., et al. Food Funct. 2019;10(11):7397-7406. 7.    Salek M., Clark C.C.T., Taghizadeh M., Jafarnejad S. EXCLI J. 2019;18:558-575. 8.    Maxel T., Svendsen P.F., Smidt K., Lauridsen J.K., et al. Front Endocrinol (Lausanne). 2017;8:38. 9.    Guler I., Himmetoglu O., Turp A., Erdem A., et al. Biol Trace Elem Res. 2014;158(3):297-304. 10.  Maktabi M., Jamilian M., Asemi Z. Biol Trace Elem Res. 2018;182(1):21-28. 11.  Jamilian M., Samimi M., Mirhosseini N., Afshar Ebrahimi F., et al. J Affect Disord. 2018;238:32-38.

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