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A tireoide é uma das maiores glândulas endócrinas do corpo humano, possui o formato de borboleta e está localizada no pescoço, logo abaixo da região conhecida como Pomo de Adão [1]. Apesar de seu tamanho pequeno quando comparado a outros órgãos do corpo humano, a ação da tireoide influencia uma vasta gama de processos como o crescimento e o desenvolvimento das crianças e adolescentes, a regulação dos ciclos menstruais, a fertilidade, o peso, e afeta também o sistema nervoso central, incluindo os processos de memória, concentração e o controle emocional [1].

A ação da tireoide é controlada pela hipófise, uma glândula localizada na base do cérebro. É a hipófise que produz o hormônio estimulante da tireoide (TSH), o qual induz então a tireoide a produzir dois hormônios: triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Ambos possuem o mesmo efeito e são qualitativamente iguais, diferindo na velocidade e na intensidade de ação [2], e funcionam como combustível para o corpo humano, estimulando o metabolismo e o gasto energético [3].

Quando a tireoide não está atuando corretamente, ocorrem os distúrbios tireoidianos, que basicamente consistem na liberação de hormônios em excesso (hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotireoidismo) [1]. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo são doenças autoimunes, ou seja, o próprio indivíduo produz anticorpos contra a sua tireoide, estimulando ou bloqueando seu funcionamento, respectivamente [3]. Dentre essas alterações, o hipotireoidismo é o distúrbio mais comum, acometendo cerca de 10% da população feminina, com aumento desse índice para 12%-15% na menopausa. Apesar de menos frequente, homens também são afetados e sua prevalência gira em torno de 3% [3].

Conforme mencionado, no hipotireoidismo a tireoide não produz ou então produz em quantidades insuficientes os hormônios tireoidianos (T3 e T4), causando redução na taxa metabólica do indivíduo, o que leva a sintomas como fadiga, fraqueza, constipação, ganho de peso, pele seca, queda de cabelo, cãibras e dores musculares, distúrbios do sono, alterações do humor, depressão, processos de pensamento lento, e no caso das mulheres até a interrupção da menstruação (amenorreia) [3, 4]. Isso ocorre porque o corpo entende que está sem “combustível” e por isso tenta diminuir seus gastos energéticos.

Nesse sentido, a desnutrição ou deficiências nutricionais coexistentes de elementos como iodo, ferro e selênio podem prejudicar a função da glândula tireoide, e já foram apontadas como uma das causas de desenvolvimento e/ou agravamento do hipotireoidismo [5]. Já foi observado que o perfil nutricional de pacientes com distúrbios tireoidianos apresenta uma grande quantidade de deficiências de proteínas, vitaminas (A, C, B6, B5, B1) e de minerais (fósforo, magnésio, potássio, sódio, cromo) [5]. Vejamos a seguir o papel dos principais minerais:
     
Como podemos ver, é de suma importância que a tireoide funcione corretamente para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo. Uma alimentação adequada auxilia a reduzir os sintomas da doença, além de manter os níveis adequados dos nutrientes importantes para a produção dos hormônios tireoidianos, auxiliando assim a regulação da função tireoidiana. Contudo, é importante ressaltar que tal qual a deficiência, o excesso destes componentes também pode trazer malefícios para o bom funcionamento do organismo. Qualquer medida ou tratamento deve ser orientado por um profissional da saúde, de acordo com a individualidade de cada paciente, portanto ao sinal de qualquer sintoma procure um médico.




Produzido por: Pietra Sacramento Prado, BSc e Renata Cavalcanti, PhD



Referências
1.        Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Tireoide. 2008  [Acesso 18/05/2021]; Disponível em: https://www.endocrino.org.br/tireoide/.
2.        Nunes, M.T., Hormônios Tiroideanos: Mecanismo de Ação e Importância Biológica. Arq Bras Endocrinol Metab, 2003. 47(6): p. 639-43.
3.        Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). 25 de Maio: Dia Internacional da Tireoide. 2013  [Acesso 18/05/2021]; Disponível em: https://www.tireoide.org.br/25-de-maio-dia-internacional-da-tireoide/.
4.        Oliveira, V. and R.R. Maldonado, Hipotireoidismo e hipertireoidismo – uma breve revisão sobre as disfunções tireoidianas. Interciência & Sociedade, 2014. 3(2): p. 36-44.
5.        Kawicka, A., B. Regulska-Ilow, and B. Regulska-Ilow, [Metabolic disorders and nutritional status in autoimmune thyroid diseases]. Postepy Hig Med Dosw (Online), 2015. 69: p. 80-90.
6.        Rayman, M.P., Multiple nutritional factors and thyroid disease, with particular reference to autoimmune thyroid disease. Proc Nutr Soc, 2019. 78(1): p. 34-44.
7.        Wu, Q., et al., Low Population Selenium Status Is Associated With Increased Prevalence of Thyroid Disease. J Clin Endocrinol Metab, 2015. 100(11): p. 4037-47.
8.        Derumeaux, H., et al., Association of selenium with thyroid volume and echostructure in 35- to 60-year-old French adults. Eur J Endocrinol, 2003. 148(3): p. 309-15.
9.        Wiersinga, W.M., et al., 2012 ETA Guidelines: The Use of L-T4 + L-T3 in the Treatment of Hypothyroidism. Eur Thyroid J, 2012. 1(2): p. 55-71.
10.      Soppi, E., Iron deficiency is the main cause of symptom persistence in patients treated for hypothyroidism. 15th International Thyroid Congress, 2015. Thyroid 25: p. A–74.

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